sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Aquecimento global... em Marte!

Marte também sofre os efeitos das mudanças climáticas
As misteriosas dunas de areia em torno da calota polar ártica marciana estão mudando com o passar das estações, à medida que o dióxido de carbono se transforma, desencadeando avalanches que alteram a paisagem, revelou um estudo publicado esta quinta-feira (3).
Estas mudanças inesperadas ficaram em evidência graças a imagens capturadas pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da Nasa, que orbita o planeta vermelho e que está coletando dados há cinco anos, segundo o trabalho publicado na revista científica americana Science.
No transcurso de um ano marciano, que com seus 680 dias quase dobra o ano terrestre, podem ocorrer mudanças notórias, afirmam os pesquisadores.


http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/afp/2011/02/03/marte-tambem-sofre-os-efeitos-das-mudancas-climaticas.jhtm

Comentário:
Onde estão as indústrias poluidoras de Marte que estão destruindo aquele planeta também?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Bresser e a "americanização" da política

Do artigo de Luiz Carlos Bresser Pereira, "Dois MalesDois afinal evitados”, que trata das eleições presidenciais de 31 de outubro de 2010:

É verdade que os dois principais candidatos não conseguiram desenvolver um debate que oferecesse alternativas programáticas e ideológicas claras aos eleitores. Por isso, a grande maioria dos analistas os criticou. Creio que se equivocaram. (...)

Os dois males que de fato rondaram as eleições de 31 de outubro foram os males do udenismo moralista e potencialmente golpista e o da americanização do debate político.
Quando setores da sociedade e militantes partidários afirmaram que a candidata eleita representava uma ameaça para a democracia, para a Constituição e para a moralidade pública, estavam retomando uma prática política que caracterizou a UDN (União Democrática Nacional), o partido político moralista e golpista que derrubou Getulio Vargas em 1954.

Não há nada mais antipolítico ou antidemocrático do que esse tipo de argumento e de prática. As três acusações são gravíssimas; se fossem verdadeiras -e seus proponentes sempre acham que são- justificam o golpe de Estado preventivo. Felizmente a sociedade brasileira teve maturidade e rejeitou esse tipo de argumento.

Quanto ao mal da americanização da política, entendo por isso a mistura de religião com política em um país moderno. Os Estados Unidos, que no final da Segunda Guerra Mundial eram o exemplo de democracia para todo mundo, experimentaram desde então decadência política e social que teve como uma de suas características a invasão da política por temas de base religiosa como a condenação do aborto.
De repente um candidato passa a ser amigo de Deus ou do diabo, dependendo de ser ele "a favor da vida" ou não. A separação entre a política e a religião -a secularização da política- foi um grande avanço democrático do século 19. Voltarmos a uni-las, um grande atraso, a volta à intolerância.

A meu ver, o comentário peca por excesso de baba-ovismo.

1. "UDN, o partido político moralista e golpista que derrubou Getulio Vargas em 1954."

A UDN não derrubou Getúlio em 1954. Por mais que tenha sido ruidosa e intensa a campanha diária contra Vargas (mas direito natural de toda oposição em um país democrático), NÃO TERIA ACONTECIDO NADA se Getúlio não se adiantasse e mandasse matar Lacerda (acabou matando outro, e ferindo o jornalista).
Getúlio não foi derrubado. Ele mesmo se derrubou, e o desfecho do suicídio foi apenas uma sequência do mal que ele mesmo criou.

Atualmente, a historiografia avalia que os movimentos de Getúlio na esfera do governo em 1945, quando já corria plenamente a sua sucessão, mostram que ele preparava um golpe para se eternizar no poder. Getúlio é que foi um golpista.

2. "Os Estados Unidos que (...) eram o exemplo de democracia para todo mundo, experimentaram desde então decadência política e social que teve como uma de suas características a invasão da política por temas de base religiosa como a condenação do aborto."

Pois bem, de 1945 o que vimos não foi a condenação do aborto, mas sim a sua aprovação por meio, não de um debate eleitoral ou da decisão dos partidos via Congresso (que não tem incumbência para isso, mas tem mais representatividade), mas de uma decisão da Suprema Corte (Roe x Wade, 1973), seguindo um critério desprovido de considerações éticas sobre o direito à vida.
Onde está a "invasão religiosa"?

É claro que o nível do debate político subiu um pouco com a inclusão de temas morais. Eles representam a inclusão na esfera de decisões políticas de uma parcela do eleitorado que se mantinha calada sobre assuntos caros ao seu ponto de vista. Isso é democracia.

Espera-se que a presidente seja fiel a seus compromissos assumidos em campanha da mesma forma com que se compromete com a defesa da democracia e da liberdade de imprensa.

sábado, 15 de janeiro de 2011

New Age em favor da dengue

2011 começa com mais uma etapa da história infame do pseudo-ecologismo (fonte: Jorge Alcalde, da revista Quo).

No final do ano passado, as autoridades da Malásia anunciaram a suspensão de um programa de controle da epidemia da dengue (doença que afeta de 50 a 100 milhões de pessoas em todo o mundo) que utilizava como arma a liberação na natureza de exemplares machos do Aedes Aegypti geneticamente modificados, altamente atrativos para as fêmeas, mas cujos descendentes são incapazes de se reproduzir.

A utilização dessa técnica não é nova, e já foi utilizada com sucesso para reduzir drasticamente a população de pragas nocivas à agricultura nos Estados Unidos e no México. Porém, quando se tentou usar a mesma modificação para se frear o avanço da dengue na Malásia, grupos internacionais de ecologistas e consumidores alegaram a possibilidade de meios “mais holísticos” para se controlar a epidemia. 
A mesma pressão deve acontecer diante de outras nações que também pesquisam armas genéticas contra a dengue.

Estes grupos (muito distantes da realidade do sudeste da Ásia, e virtualmente a salvo de qualquer contato com a dengue) asseguram que outros meios, mais lentos e mais caros (como a interminável fiscalização das águas paradas), trazem resultados mais seguros, apesar de nada disso ter impedido o alastramento da doença por todo o mundo.

Enquanto isso, o sofrimento e as mortes provocadas pela dengue não se mostram suficientemente “holísticos” para sensibilizar os salvadores do planeta.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Dilma Medvedev

A mídia baba-ovo vem passou os últimos meses amamentando a opinião pública com o ineditismo de assumir a "primeira mulher presidente" na história do Brasil. (Para frisar o demagogismo, até desenterraram o termo 'presidenta', para entusiasmar as 'clientas').

Pois bem, detesto decepcionar, mas... Dilma é homem.

Calma, sigo apenas o raciocínio velhaco do núcleo feminino do PT toda vez que alguma prefeita era eleita em alguma grota do interiorzão na cola do poderio do marido, quando ainda não existia a reeleição.
Aí, diziam que todas aquelas esposas, filhas, irmãs, cunhadas ou até mães daqueles prefeitos não representavam a "causa" da mulher, que não tinham "histórico de luta", e que chegaram àquelas posições no reboque de poder dos verdadeiros detentores do poder.

Elas tinham plena razão.
E isso vale perfeitíssimo para a diletante Medvedev.
Há um homem por trás de tudo, vocês sabem quem são, e vai continuar sendo ele a colher louros e vaias para qualquer coisa que venha a acontecer daqui para frente.

Ah, histórico de luta é eufemismo para exigência de carteirinha. O núcleo velhaco não tem aval para exigir de qualquer quem seja o compromisso de vinculação ideológica que o partido quer. Existe histórico de luta do homem?
Não, não... para o Brasil não foi dessa vez.

Dizem que Dilma é competente, decidida, teimosa ou tudo isso junto.
São qualidades de uma mula. Mas acredito fielmente que ela tenha sido brilhante se comparada com os três chefes bananas que confiaram em seu poder de ação, aliás já evidente nos tempos em que não inaugurava pontes e hidrelétricas, mas assaltos e sequestros. Isso sim, por mérito próprio.

PS: essa mesma mídia baba-ovo comentou com o nome de "furor" o impacto da aparência jovem - ainda que apagadinha - da esposinha do vice-presidente Tremer.
Não vi foror algum. Está na hora da turma de plantão de jornalismo arranjar coisa melhor para fazer.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Novidades

Nosso blog começa o ano de 2011 passando a contar com a ajuda mais permanente de nossos dois prestimosos colaboradores.

Um deles é o velho, chato, reacionário, rabugento, misógino e chauvinista professor Eudascalo (até o nome é chato), que nos brindará mais uma vez com suas longas e intermináveis explicações sobre assuntos sem a menor importância, exceto para ele, que vive sempre no mundo da lua.

Outro é a Cassandra, a dedicada tradutora profissional, histórica falante e militante de esquerda, apoiadora de todas as causas dos oprimidos ao redor do mundo, com exceção (não sei porquê) do Tibet. Desde criança, ela sofre de um inexplicável mal (ou bem) que a impede totalmente de mentir. Mas ultimamente, ela inexplicavelmente começou a sofrer também de afasia.


Obviamente, esses não são seus nomes reais, mas os que os conhecem até sabem de quem se trata. Sejam bem-vindos, amados colaboradores. Os que vão ler, os saúdam.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A esquerda S.A.

Quando o candidato do PSDB se defrontou com uma sturmableitung petista na zona oeste do Rio de Janeiro para mim ficou evidente que José Serra não conhece o país em que vive.

Ele precisa ser melhor assessorado. Há mais de vinte anos, nenhum partido (que não seja o PT) está autorizado a realizar comícios ou ajuntamentos públicos em grandes cidades, sem que atraia alguma turba da esquerda disposta a dissolvê-lo pela força ou com xingamentos. Ele até devia agradecer por terem atingido apenas com um artefato plástico. Quem mandou se meter em terreno onde não é autorizado?

Será que ele não levou nem um pouco a sério que desde o começo da campanha as suas finanças foram bisbilhotadas por um aparelho petista montado dentro da própria Receita Federal? Ou será que acreditou que realmente tudo não passou de um mal-entendido?
Bisbilhotagens desse tipo teriam provocado reações políticas imensas em nações transparentes (lembram-se de Watergate?), mas no Brasil isso não provocou o menor risco. Serra teria que estar preparado.


Esse incidente me fez lembrar 1989 e uma recente "rememoração" de um fato semelhante, quando militantes de esquerda se juntaram para dissolver um comício programado pela candidato Fernando Collor de Mello na cidade de Caxias do Sul, uma semana antes do segundo turno.

Observe que os ex-militantes entrevistados (na época, quase todos do felizmente extinto PCB, e hoje espalhados em outras siglas: PT, PDT, PMDB) se orgulham empavoados da "façanha" - não feita por eles, obviamente, mas por outros - de impedir um comício eleitoral usando de táticas inegavelmente fascistas.
Pior é que a atribuíram a culpa por atiçar a confusão em um militante que nem vivo está mais.

Eu conheci ele. Como também conheci outros, brizolistas ou petistas, que esperam até hoje medalhas pelo grande feito de ter reimplantado no Brasil a prática fascista de dissolver comícios de adversários no país. Eu estava lá, fiz parte da campanha de Lula, mas não da 'confusão' na praça. O ataque foi intencional, planejado, executado. E obra da esquerda; não dos colloridos.
Se o Collor aproveitou politicamente depois - como já tinha feito na outra Caxias, do RJ - é outra história. É ridículo ver o próprio ex-coordenador da campanha Collor na cidade, Mário Vanin, cair na lorota de que houve uma armação para provocar o incidente, porque os 'organizadores' do comício não eram de Caxias do Sul, mas de outra cidade.

Eu vi esses militantes chegarem (não eram muitos, de camisa branca, com a sigla "PTR", um dos partidos da coalizão de nanicos formada por Collor), mas também é verdade que a praça atraiu curiosos e simpatizantes (também de outras cidades) do candidato do PRN que, mesmo sem serem maioria na cidade, tinham pleno direito democrático de comparecerem a um dos raros comícios de Collor no estado.
Se Collor quisesse uma provocação, teria feito uma caminhada até a sede de comitê de sua candidatura, na esquina da Júlio com a Coronel Flores (e que, curiosamente, era ao lado do próprio comitê de Lula), e não um comício de grande porte e com a presença de artistas e de seus principais apoiadores no estado.

A dissolução do comício se deu porque militantes de quatro partidos de esquerda decidiram isso. Todo o material de som foi destruído e o palanque jogado abaixo, em uma ação que não deve nada às S.A. nazistas.
É terror, meu amigos? É.

A realidade é que a baderna contra candidaturas alheias não é acidente na trajetória da esquerda. Está no sangue. Ela não admite opções contrárias. Ela quer monopolizar, uniformizar, eliminar os contrários, filtrar o pensamento da sociedade até restar apenas um pensamento.

José Serra, que foi (ou ainda é) um stalinista, devia reconhecer isso. Agora experimenta o veneno que já foi dele.

O 'ego eleitoral'

Se algum dia tiverem que se decidir entre assistir ao debate dos presidenciáveis na TV Globo ou ao jogo Alecrim x São Raimundo, válido pela série D do campeonato brasileiro, meu conselho é que escolham o futebol.

Pensem comigo...
Qual vai ser o candidato que irá se dispor a ir a um debate público, transmitido para todo o Brasil, se as condições não forem confortavelmente favoráveis?

Até aqui tudo bem. É evidente que nenhum candidato aceitaria ir a um debate contra sua própria tática eleitoral. O problema é que essas condições favoráveis apresentadas aos candidatos resultam em um debate amorfo, que distorce do que é a função do presidente e acaba não respondendo às dúvidas da sociedade.

Vejam bem: que utilidade tem um presidenciável responder a perguntas sobre transporte urbano ou saneamento? Essas podem ser questões consideradas interessantes pelos eleitores simples e - presumivelmente - indecisos convidados para o debate, mas de forma alguma são decisivas para o país.

Essa não é uma eleição para vereador, nem para prefeito.
É uma eleição presidencial e há dezenas de temas que jamais são comentados, e a escolha de pessoas simples para formular as perguntas (o que duvido que seja verdade, pois ficou indisfarçável que estavam lendo uma pauta) afastou o debate de qualquer pergunta séria que poderia ser feita para que a sociedade fizesse uma decisão amparada em respostas concretas.

Por exemplo, ninguém pergunta o que os candidatos fariam para resolver o problema dos portos. Com os portos funcionando mais rapidamente, as exportações aumentariam, haveria maior arrecadação e só aí já existiriam mais recursos para solucionar os outros problemas, como o transporte e o saneamento.

Ninguém pergunta porque os candidatos não ficariam confortáveis em responder o que realmente pensam em fazer: privatização. É claro. Teriam que admitir uma solução "impopular" e isso seria muito arriscado eleitoralmente. Pode ser que o adversário minta, e aí a coisa ficaria realmente preta. Para não correr esse risco, é evidente que todos os temas das perguntas já vieram todos definidos, prontinhos, para que não existisse absolutamente nenhuma surpresa.

As respostas são tão óbvias que são mínimos de malandragem de um ou outro candidato que podem fazer alguma diferença na quantidade de aplausos (que repercutem, no máximo, em mobilização da 'militância'), mas jamais uma meta séria, algo que realmente confronte os seus pontos de vista. Os candidatos posam como atores, o mediador como um diretor de palco, os convidados como figurantes (afinal, não são eles que fazem as réplicas) e a plateia televisiva se deleita com aquele que melhor lhe amansa o 'ego eleitoral'.

No Brasil as verdades se falam com portas fechadas.