sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A esquerda S.A.

Quando o candidato do PSDB se defrontou com uma sturmableitung petista na zona oeste do Rio de Janeiro para mim ficou evidente que José Serra não conhece o país em que vive.

Ele precisa ser melhor assessorado. Há mais de vinte anos, nenhum partido (que não seja o PT) está autorizado a realizar comícios ou ajuntamentos públicos em grandes cidades, sem que atraia alguma turba da esquerda disposta a dissolvê-lo pela força ou com xingamentos. Ele até devia agradecer por terem atingido apenas com um artefato plástico. Quem mandou se meter em terreno onde não é autorizado?

Será que ele não levou nem um pouco a sério que desde o começo da campanha as suas finanças foram bisbilhotadas por um aparelho petista montado dentro da própria Receita Federal? Ou será que acreditou que realmente tudo não passou de um mal-entendido?
Bisbilhotagens desse tipo teriam provocado reações políticas imensas em nações transparentes (lembram-se de Watergate?), mas no Brasil isso não provocou o menor risco. Serra teria que estar preparado.


Esse incidente me fez lembrar 1989 e uma recente "rememoração" de um fato semelhante, quando militantes de esquerda se juntaram para dissolver um comício programado pela candidato Fernando Collor de Mello na cidade de Caxias do Sul, uma semana antes do segundo turno.

Observe que os ex-militantes entrevistados (na época, quase todos do felizmente extinto PCB, e hoje espalhados em outras siglas: PT, PDT, PMDB) se orgulham empavoados da "façanha" - não feita por eles, obviamente, mas por outros - de impedir um comício eleitoral usando de táticas inegavelmente fascistas.
Pior é que a atribuíram a culpa por atiçar a confusão em um militante que nem vivo está mais.

Eu conheci ele. Como também conheci outros, brizolistas ou petistas, que esperam até hoje medalhas pelo grande feito de ter reimplantado no Brasil a prática fascista de dissolver comícios de adversários no país. Eu estava lá, fiz parte da campanha de Lula, mas não da 'confusão' na praça. O ataque foi intencional, planejado, executado. E obra da esquerda; não dos colloridos.
Se o Collor aproveitou politicamente depois - como já tinha feito na outra Caxias, do RJ - é outra história. É ridículo ver o próprio ex-coordenador da campanha Collor na cidade, Mário Vanin, cair na lorota de que houve uma armação para provocar o incidente, porque os 'organizadores' do comício não eram de Caxias do Sul, mas de outra cidade.

Eu vi esses militantes chegarem (não eram muitos, de camisa branca, com a sigla "PTR", um dos partidos da coalizão de nanicos formada por Collor), mas também é verdade que a praça atraiu curiosos e simpatizantes (também de outras cidades) do candidato do PRN que, mesmo sem serem maioria na cidade, tinham pleno direito democrático de comparecerem a um dos raros comícios de Collor no estado.
Se Collor quisesse uma provocação, teria feito uma caminhada até a sede de comitê de sua candidatura, na esquina da Júlio com a Coronel Flores (e que, curiosamente, era ao lado do próprio comitê de Lula), e não um comício de grande porte e com a presença de artistas e de seus principais apoiadores no estado.

A dissolução do comício se deu porque militantes de quatro partidos de esquerda decidiram isso. Todo o material de som foi destruído e o palanque jogado abaixo, em uma ação que não deve nada às S.A. nazistas.
É terror, meu amigos? É.

A realidade é que a baderna contra candidaturas alheias não é acidente na trajetória da esquerda. Está no sangue. Ela não admite opções contrárias. Ela quer monopolizar, uniformizar, eliminar os contrários, filtrar o pensamento da sociedade até restar apenas um pensamento.

José Serra, que foi (ou ainda é) um stalinista, devia reconhecer isso. Agora experimenta o veneno que já foi dele.

O 'ego eleitoral'

Se algum dia tiverem que se decidir entre assistir ao debate dos presidenciáveis na TV Globo ou ao jogo Alecrim x São Raimundo, válido pela série D do campeonato brasileiro, meu conselho é que escolham o futebol.

Pensem comigo...
Qual vai ser o candidato que irá se dispor a ir a um debate público, transmitido para todo o Brasil, se as condições não forem confortavelmente favoráveis?

Até aqui tudo bem. É evidente que nenhum candidato aceitaria ir a um debate contra sua própria tática eleitoral. O problema é que essas condições favoráveis apresentadas aos candidatos resultam em um debate amorfo, que distorce do que é a função do presidente e acaba não respondendo às dúvidas da sociedade.

Vejam bem: que utilidade tem um presidenciável responder a perguntas sobre transporte urbano ou saneamento? Essas podem ser questões consideradas interessantes pelos eleitores simples e - presumivelmente - indecisos convidados para o debate, mas de forma alguma são decisivas para o país.

Essa não é uma eleição para vereador, nem para prefeito.
É uma eleição presidencial e há dezenas de temas que jamais são comentados, e a escolha de pessoas simples para formular as perguntas (o que duvido que seja verdade, pois ficou indisfarçável que estavam lendo uma pauta) afastou o debate de qualquer pergunta séria que poderia ser feita para que a sociedade fizesse uma decisão amparada em respostas concretas.

Por exemplo, ninguém pergunta o que os candidatos fariam para resolver o problema dos portos. Com os portos funcionando mais rapidamente, as exportações aumentariam, haveria maior arrecadação e só aí já existiriam mais recursos para solucionar os outros problemas, como o transporte e o saneamento.

Ninguém pergunta porque os candidatos não ficariam confortáveis em responder o que realmente pensam em fazer: privatização. É claro. Teriam que admitir uma solução "impopular" e isso seria muito arriscado eleitoralmente. Pode ser que o adversário minta, e aí a coisa ficaria realmente preta. Para não correr esse risco, é evidente que todos os temas das perguntas já vieram todos definidos, prontinhos, para que não existisse absolutamente nenhuma surpresa.

As respostas são tão óbvias que são mínimos de malandragem de um ou outro candidato que podem fazer alguma diferença na quantidade de aplausos (que repercutem, no máximo, em mobilização da 'militância'), mas jamais uma meta séria, algo que realmente confronte os seus pontos de vista. Os candidatos posam como atores, o mediador como um diretor de palco, os convidados como figurantes (afinal, não são eles que fazem as réplicas) e a plateia televisiva se deleita com aquele que melhor lhe amansa o 'ego eleitoral'.

No Brasil as verdades se falam com portas fechadas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Quem manda na economia

         Na condição de partidos que comandam o confronto político em escala nacional desde o pleito de 1994, PT e PSDB disputam junto ao eleitorado o reconhecimento do povo como o melhor gestor da política econômica dos últimos 16 anos.
Para o PT, a condução da economia durante o período que teve Fernando Henrique Cardoso à frente do governo foi má, marcada pelo desmonte do parque industrial privado, venda indiscriminada de estatais e níveis altos de desemprego. Essa situação ‘desastrosa’ teve fim apenas quando Lula chegou à presidência, recuperando a criação de empregos e levando o país ao seleto grupo das nações em acelerado estágio de crescimento.
Para o PSDB, entretanto, os êxitos da política econômica com Lula só foram possíveis devido aos ajustes do período anterior – a começar pela derrota da inflação. Mais que isso: defendem os tucanos que a política econômica desenvolvida pelo PT nada mais é que uma continuidade das linhas mestras da gestão deles no governo.

Os números mostram que ainda estamos em uma fase de ventos favoráveis para a economia. A taxa de crescimento anual é uma das mais altas da era recente, as empresas estão saudáveis, as exportações continuam em alta e o nível de desemprego deixou de ser preocupante há já alguns anos.
Esses índices são refletidos diretamente no aumento de renda das camadas mais pobres e, eleitoralmente, em um ambiente especialmente favorável à manutenção das diretrizes da política econômica presente – seja ela qual for; e venha ela de onde vier. Definitivamente, a mudança de política para a economia simplesmente focou de fora da temática eleitoral de 2010 – até mesmo da terceira via apresentada pela candidata do PV.
A realidade incontestável é que PSDB e PT são concordantes na área da economia, seguindo basicamente os mesmos princípios e objetivos: a) criação de metas de equilíbrio fiscal; b) abertura de setores estatais não-estratégicos para o setor privado; c) aumento da carga tributária; d) expansão gradual do funcionalismo; e) uso da política de câmbio e juros para financiamento externo; f) contenção do aumento dos salários; g) mecanismos de distribuição direta de renda.
         Eventualmente, a temática eleitoral do PT aborda a questão das privatizações aceleradas durante o período de 1995-2001, quando o PSDB esteve à frente do governo. Mas é fato que o PT, em oito anos da era Lula, não só jamais procurou reverter as privatizações efetuadas pelo governo anterior, como deu passos tímidos na mesma direção.

         Então, em que difere a condução econômica de ambos os partidos? Quem efetivamente realizou as transformações estruturais da década de 90 e até que ponto o partido governista manteve ou alterou a política econômica em curso?
         Para termos uma resposta a estas indagações, temos que primeiramente saber a diferença que há entre um partido estar à frente do governo e conduzir, de fato, a política econômica deste mesmo governo. Se atentarmos para as duas situações em que ambos os partidos chegaram ao governo (em 1995 e 2003, respectivamente), veremos que não assumiram de imediato a condução da política econômica, o que veio a acontecer apenas em um segundo momento.
         No caso do PSDB, em 1995, essa mudança era realmente impensável, já que o grupo anterior (dentro do mesmo governo, do qual era continuidade) tivera papel decisivo na solução dos dois mais graves problemas econômicos do país: o plano Real, que acabou com a inflação em 1993; e a renegociação da dívida externa com os bancos privados em 1992-93, livrando um país de um antigo pesadelo que vinha desde a crise do petróleo.
         O principal artífice da primeira solução foi Gustavo Franco (então nomeado para o Banco Central); o do segundo foi Pedro Malan(nomeado para Fazenda). Ambos pertenciam à ala “ortodoxa” da equipe econômica, favorável a um crescimento contido da economia (e, consequentemente, uma geração de empregos abaixo do esperado) e ao acúmulo de reservas cambiais para enfrentar eventuais crises externas – que aconteceram, de fato, a partir de 1997.
         O PSDB não “levou” a gestão da economia. Os membros destacados do partido para a economia ficaram com pastas de menor poder decisório ou até “se deslocaram” para outras áreas – como José Serra, para a pasta da Saúde. Somente a partir de 1999 (com FHC já reeleito) é que o PSDB tentou tomar as rédeas da economia, afastando os “ortodoxos” e colocando em seu lugar os “desenvolvimentistas”, mais afinados com a cúpula e o programa do partido.
         Explica-se: a política até então estava dando certo, mas seus resultados sociais eram modestos. Em seu segundo mandato, FHC pretendia recuperar o tempo perdido com uma guinada na política econômica, liberando o câmbio e reduzindo os juros para incentivar a produção industrial sem a perda da estabilidade monetária. Isso era essencial às pretensões eleitorais do partido.
         Contudo, essa tentativa de FHC esbarrou sucessivamente em percalços tanto políticos e econômicos. O “delfim” do PSDB para a economia, Luís Carlos Mendonça de Barros (ex-presidente  do BNDES) chegou a entrar na quarentena que precedia à sua nomeação como ministro da Fazenda, mas teve contra si denúncias de favorecimento no leilão da Telebrás (quando era ministro das Comunicações, em 1998) – em uma operação depois considerada inteiramente lícita dentro das regras de mercado e continuada em toda era Lula.
         Pairava contra Mendonça de Barros um grampo telefônico (que, segundo dizem os meios políticos, esta sob posse do grupo de ACM) que comprovaria o seu favorecimento no leilão, e por esse motivo, a sua nomeação como ministro foi sempre adiada – o que possibilitou a permanência de Malan na Fazenda até o fim do governo FHC, com respaldo explícito do PFL.

         No Banco Central, a situação foi mais grave. FHC conseguiu afastar Gustavo Franco sem problemas assim que iniciou seu segundo mandato, mas a desvalorização do real frente ao dólar deu início a uma série de evasões monetárias monumentais, colocando o mercado financeiro em pânico e comprometendo a estabilidade da economia.
Pior que isso: seu sucessor, Chico Lopes (demitido após algumas semanas no cargo), tinha acobertado uma operação de salvamento de dois bancos de propriedade de Salvatore Cacciola, o que lhe acarretou a prisão em pleno Congresso Nacional. A solução foi buscar um operador do mercado, Armínio Fraga Neto (sem vínculo com partidos), que conseguiu estancar a sangria do Tesouro e guiar com tranquilidade a transição do câmbio fixo para o volátil.

         O PSDB (que, ao contrário do que muitos pensam) não é o autor do Plano Real, mais uma vez ficou a ver navios – e foi assim até o fim do segundo governo FHC, com a economia caminhando para a estagnação. Os tucanos jamais comandaram a política econômica do Brasil.
         E o PT comandou? O PT chegou como favorito à sucessão presidencial de 2002 com um quadro bastante diferente do que passara nos pleitos de 1994 e 1998. O mercado temia uma nova aventura “desenvolvimentista” (o que parecia acontecer se Serra fosse o eleito) e o partido respondeu positivamente a esse anseio se comprometendo a manter a política econômica em termos “ortodoxos”.
         O resultado após a eleição de Lula foi um banho de água fria em toda a velha equipe de decanos do PT para a economia, como Paulo Nogueira Batista Júnior, Plínio de Arruda Sampaio Júnior ou o próprio Aloísio Mercadante. A pasta da Fazenda foi ocupada por um médico, cuja experiência administrativa (como prefeito de Ribeirão Preto) tinha sido marcada pela privatização dos serviços municipais.
         O Banco Central, mais independente do que em qualquer época, ficou com um ex-deputado do PSDB, Henrique Meirelles, que trazia no currículo o trabalho como diretor de operações do Bank of Boston. Até hoje ninguém sabe quem soprou seu nome no ouvido de Lula...

         À exceção de Guido Mantega (guindado à condição de enfant terrible no Planejamento, a mesma função desempenhada anos antes por José Serra), nenhum dos economistas do PT subiu com Lula a rampa do Planalto. O próprio André Singer contentou-se com a função de porta-voz do presidente, sem qualquer pitaco em área econômica.
         A condução da política econômica com a dupla Palocci-Meirelles foi bastante ortodoxa. Nem se alarmou quando, no primeiro ano da era Lula, o crescimento foi zero – o que nunca acontecera em todo o governo anterior. A meta maior ainda era a busca do equilíbrio fiscal seguindo os mesmos métodos da gestão anterior.
         O único “radical” dentro do governo, Carlos Lessa (um “desenvolvimentista” arcaico, ligado ao PMDB) não suportou e largou o BNDES.
         Palocci resistiu bem até que, por um deslize bobo (mas de implicações perversas), teve que se demitir em pleno escândalo do mensalão. Seu substituto imediato na Fazenda foi Mantega, que de interino acabou se tornando permanente, agora apoiado por Luciano Coutinho (nome ligado ao PSB) no BNDES.
         Mas o embate entre “monetaristas” e “desenvolvimentistas” dentro do governo Lula nem em devaneio se assemelha ao que minou a maior parte da era FHC. Mantega entrou em sintonia com a política econômica em condução e sua conversão à ortodoxia foi assimilada tão suavemente que o PT não esboçou a menor resistência à renúncia tributária (que é heresia dentro do partido) adotada pelo governo para combater os efeitos da crise mundial em 2008 e 2009.
         Dessa forma, a condução “conservadora” da política econômica (que vem se mantendo, a trancos e barrancos, desde 1993) transformou a crise que parecia catastrófica em uma “marolinha” e, ao que parece, não há riscos sérios de ser substituída por uma diretriz menos ortodoxa. Ela tem sucessivos trunfos (derrota da inflação, contenção das crises externas, eixo de crescimento na década, conquista do grau de investimento, etc.) e somente se acontecer um acidente muito grave de percurso, é que suas diretrizes terão que ser mudadas.

         É evidente que há sinais preocupantes. Desde agosto, há sinais de desaquecimento da produção industrial. A valorização cambial exige intervenções ativas do governo no mercado financeiro para puxa o dólar para cima. Para piorar, a tendência de recuperação da economia em termos mundiais foi otimista demais em relação à realidade.
         A dívida pública (moderada em 1999) explodiu na era Lula, e chega a um valor comparável às dos EUA e União Europeia (só que estas com PIB muito maior). Marcando o retorno ao populismo, o governo Lula não reduziu os gastos de custeio da máquina pública e fracassou em sua política de retomada de investimentos em infra-estrutura.

         PT e PSDB são partidos que, quando chegaram ao governo, se puseram à margem da condução da política econômica, preferindo dar continuidade a diretrizes que, muitas vezes, derivam exclusivamente de esquemas improvisados. Eventualmente, tomam para si alguns méritos quando favoráveis e fogem sempre da responsabilidade das grandes decisões.

domingo, 10 de outubro de 2010

A Campanha do Bem do PT

Parabéns ao PT pela campanha contra as difamações na Internet, algo que imagino que esse partido jamais tenha estimulado seus militantes a fazerem no passado, contra outros candidatos.

Ainda hoje recebo e-mails falando que os deputados (curiosamente, todos de Pernambuco) estão aproveitando nossa sonolência para aprovarem o fim do 13° salário. Só que são todos deputados de 1998, e a maioria já nem são congressistas mais, e na lista tem deputado que até já morreu.
A propósito, esse projeto nem existe.
Mas a lista dos deputados tem só o PSDB e o finado PFL...

Se é para ser do bem, vamos ver cada uma das calúnias lançadas contra a candidata Dilma, para esclarecer de uma vez por todas o que é falso e o que é verdadeiro.

1. O vice de Dilma é satanista.

Mentira deslavada.
Esse e-mail começou a circular há menos de um mês e conta que o suposto ex-satanista Daniel Mastral é filho do candidato a vice-presidente Michel Temer (PMDB).

Mais que isso: a) que Temer é “sacerdote do satanismo”; b) que já ameaçou de morte uma liderança evangélica (Neuza Itioka); c) que sua ascensão cumpre uma profecia de conquistar o país para Satanás.

Nada disso é verdade. Nem sequer o nome verdadeiro de tal ex-satanista é Daniel Mastral e muito menos que filho de Michel Temer, que é um político de carreira, com bom trânsito junto ao governo e à oposição, moderado e maçom – como também é maçom o Álvaro Dias (PSDB), que José Serra queria como seu vice. Mas ser maçom não é ser satanista.

A calúnia, pelo que pude apurar, é antiga e só agora teve formato anti-Dilma. Há um bom esclarecimento sobre esse tema. Veja aqui

2. Dilma Rousseff já foi assaltante e terrorista.

Depende do ponto de vista.
Dilma Rousseff foi militante do movimento guerrilheiro VAR-Palmares, que era uma vertente do brizolismo radical do final dos anos 60. Essa organização tinha como objetivo a implantação de uma forma de socialismo inspirada em Cuba e, eventualmente, combatia o governo militar instalado no país desde 1964.

A VAR-Palmares praticava o terrorismo?
Aí entra o seu ponto de vista.  Por exemplo, para os integrantes do grupo Terrorismo Nunca Mais, TODOS os esquerdistas envolvidos na ‘luta armada’ eram terroristas, inclusive vários políticos moderados da atualidade, como Fernando Gabeira (PV) e Aloysio Nunes (PSDB). Para outros setores, porém, a militância dessas organizações era legítima em uma estratégia de ‘resistência’ contra a ditadura.

Dilma Rousseff dirigiu ações da VAR-Palmares contra bancos (ou seja, assaltos contra essas mesmas instituições financeiras que hoje bancam a sua candidatura), mas isso não era considerado um assalto comum (nem mesmo na época) porque o objetivo era sustentar “companheiros”  e aparelhos que sobreviviam em clandestinidade.
Isso tudo até o momento em que nada disso serviu para enfraquecer a ditadura, e então se dispersaram, voltando a se reunir somente depois da anistia, primeiro no PDT e depois no PT. Já se passou muito tempo desde então e é um evidente exagero chamar Dilma de assaltante e terrorista.

Não existe um conceito claro e definitivo do que é terrorismo. Em geral, se considera que o ‘terror’ é quando se vitimam pessoas para causar pavor, seja em outro grupo, seja na sociedade.  Isso foi praticado (e eventualmente reconhecido por um dos principais líderes da ‘luta armada’, Carlos Marighella, como relata Jacob Gorender em seu livro Combate nas Trevas) tanto pela oposição clandestina, quanto pelo próprio governo militar.

A VAR-Palmares realizou ou planejou alguns atos que, sob um ponto de vista lúcido, foram ou seriam atos de terrorismo puro – um amigo meu deixou aquela organização justamente por causa disso. Mas não há registro de que Dilma tenha planejado ou dirigido ações desse tipo.

3. Dilma afirmou que nem Cristo tirava essa eleição dela.

Tem tudo para ser falso.
Essa notícia circulou em meio escrito (portanto, nem adianta procurar no Youtube) e conta que Dilma foi entrevistada por um jornalista local durante a inauguração de um comitê no interior de Minas Gerais.

– Como a senhora vê o crescimento da sua candidatura nas pesquisas?
– O povo brasileiro sabe escolher, é a continuidade do governo Lula, e após as eleições nós vamos desarmar o palanque e estender os braços aos nossos adversários, o candidato Serra está convidado a participar do meu governo, porque nesta eleição nem mesmo cristo querendo, me tira essa vitória, as pesquisas comprovam o que eu estou dizendo, vou ganhar no primeiro turno.

A entrevista, é lógico, jamais foi replicada pela imprensa nacional, tanto por ser (presume-se) uma entrevista local e não ter comprovação alguma de sua veracidade. E nesse caso, essa notícia só mereceria ser levada a sério se tivesse uma gravação ou vídeo mostrando isso.
Mas não há essa gravação (como naquela mesma situação em que a ex-secretária Lina Vieira jurou de pés juntos que Dilma tinha pedido para aliviar a investigação sobre a família Sarney), o ônus da prova cabe ao acusador e... assim Dilma é inteiramente inocente.
Não devemos acreditar nisso.

Há uma ideia popular de que quem desafia Deus em alguma frase (mesmo mal-colocada) acaba indo de encontro ao desastre – como também se fala sobre o Titanic. Se foi uma frase verdadeira (mal interpretada ou não), o resultado acabou se concretizando, porque Dilma não foi eleita – ao menos em primeiro turno.

4. Dilma apoia o aborto.

Ela disse que não. Mas...
Em 2007, declarou-se abertamente a favor da descriminalização do aborto e afirmou ser um “absurdo” que ainda não seja assim no Brasil.

Na penúltima semana, na véspera do primeiro turno, Dilma reuniu apoiadores cristãos para dizer que pessoalmente era contra o aborto, e que qualquer decisão sobre o assunto seria feita pelo Congresso, sem interferência dela caso seja presidente – que é a mesma posição que Lula tem sobre o tema. Veja aqui.
Tudo bem..., pessoas mudam de opinião (principalmente quando algo “maior”, a eleição, está em jogo). Ela mudou até o penteado.

Esse algo “maior” imagino que seja determinado não somente segundo as convicções pessoais de Dilma, mas por seu partido, o PT, que nessa mesma campanha (julho) incluiu a ampliação das situações de aborto legal como parte do programa da presidenciável. Mas, alguns dias depois, retirou esse tema, e defendeu a permanência da lei como está.

Em 2009, após aprovação do apoio partidário à descriminalização do aborto, dois deputados do PT (um espirita, Luiz Bassuma – BA, e outro evangélico, Henrique Afonso – AC) foram suspensos da sigla por terem uma posição ostensiva contra o aborto. Veja a decisão aqui.

Não há porque duvidar de Dilma Rousseff. E nem porque acreditar.
E contra fatos, não há argumentos.

Serrafável

Você conhece ele. Você sabe o que ele fez. Você sabe talvez até o nome da quitanda do pai dele tinha no Mooca. Mas certamente, ele teria muito melhor imagem (e bem mais votos) se tivesse mais... cabelo!

A conclusão, é claro, vem de renomados institutos de beleza pesquisa, que avaliaram a necessidade do candidato ter maior penetração em setores mais cabeludos do eleitorado. Então, para ajudar na definição de eleitores indecisos, fizemos algumas montagens para mostrar como seria esse visual afável do candidato.

PSDB Emo

Serrinha Paz e Amor 

Fiuk Me

PAC-3 está chegando

Low profile

Campeão nacional

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ilusão Continuada

Em campanha, o candidato do PT ao governo de SP, Aloísio Mercadante, promete “acabar com a aprovação automática” nas escolas da rede estadual e criar um novo sistema de avaliação que acompanhe as exigências de aprendizado, permitindo que os pais possam acompanhar e exigir que seus filhos aprendam de verdade.


Por que não devemos acreditar em Aloísio Mercadante?

A promessa feita, em tons enfáticos, pelo sisudo candidato do PT é inteiramente distinta da prática que seu próprio partido têm implantado ou procurado implantar nas prefeituras e governos de outros estados que administra. Ainda na década de 80, os especialistas em educação ligados ao PT já argumentavam que a reprovação era um meio de “exclusão dos mais pobres” e preconizavam o “sistema de ciclos”, adotado pela primeira vez em 1992 pela administração municipal de São Paulo.

Em 1996, esse sistema foi adotado por Porto Alegre, também administrada pelo PT, que logo depois tentou aplicar em todo o estado com a eleição de Olívio Dutra. Porém, diante da resistência na comunidade escolar, acabou recuando para adotar um sistema de aprovação anual automática – em que a reprovação de um aluno era, literalmente, um caso de polícia. Os diretores de escolas corriam o risco de ser afastados de suas funções caso reprovassem um aluno, enquanto pais de alunos irresponsáveis acionavam a Justiça para obter a aprovação de seus filhos.

Esse sistema de aprovação imposto aos gaúchos pelo PT foi simplesmente igual ao que Mercadante agora promete acabar em SP.

Não é possível acreditar em Mercadante porque aprovar os alunos independente do seu rendimento escolar tem sido uma marca registrada do partido em todas as instâncias de governo. Seguindo parecer do Conselho Nacional de Educação, o Ministério da Educação deve em breve aconselhar “fortemente” que todos os estados acabem com a reprovação escolar. O governo tucano de SP limita-se a cumprir a “lição de casa”

Não há diferenças práticas entre a “progressão continuada” (nome polido adotado pelos tucanos para a aprovação automática) e o “sistema de ciclos” (preferido pelo PT). São dois nomes para o mesmo sistema que, servindo-se dos mesmos argumentos (combater a evasão escolar, classificar os alunos por faixa de idade, eliminar diferenças sociais ou raciais, redução de custos), redunda inevitavelmente na aprovação automática. Aliás, só não é aprovado quem tiver faltas demais, ou seja, menos de 75% de audiência presença mínima obrigatória.

Mas o PT e PSDB não são os pais da “coisa”. O fim da reprovação é uma exigência explícita dos programas internacionais que avaliam a educação no país (e dos quais talvez dependam os financiamentos externos para este fim). Em 1999 a Unesco estabeleceu metas prioritárias para que todos os países signatários eliminem a reprovação ou a reduzam a níveis insignificantes até 2015. Desde que a esquerda chegou ao poder no Brasil em 1994 (seja com Paulo Renato, e agora com Fernando Haddad), os governos paulista e federal se juntam para concretizar essas metas mundiais, sob pena de ser jogado no limbo das nações que desrespeitam o inalienável direito humano dos alunos serem aprovados quase que automaticamente.

Não acredito que Mercadante seja sincero ao prometer acabar com algo que seu partido defende e aplica com unhas e dentes. Ao jogar com as ilusões de pais e mães dos alunos, ele os tenta atrair para o jargão viciado do professorado militante do PT (leia-se Apeoesp) e lucrar politicamente com isso. Contudo, se perder a eleição, impulsionará uma legião de alunos irresponsáveis para cobrar do governo do PSDB uma “aprovação automática” que, para eles, é ainda mais lucrativa.

Premia-se, assim, a quantidade de tempo passado pelos alunos esquentando os bancos escolares (e, por conseguinte, o volume de doutrinação ideológica absorvida) em detrimento do rendimento escolar efetivo, que só pode ser medido por trabalhos que incentivem a participação, a criatividade e a busca pelo conhecimento. Os alunos que se recusam a participar das atividades educacionais continuarão sendo aprovados seja qual for o eleito na disputa para o cargo de governador, para consternação e desânimo dos que ainda insistem em aprender em um sistema de ensino visivelmente degradado.

Mercadante promete acabar com a “aprovação automática” para agradar professores saturados e pais sem esperança, mas esconde que seu partido é principal entusiasta do sistema de ciclos. Em busca de mais votos, ele “vende gato por lebre”.