sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A esquerda S.A.

Quando o candidato do PSDB se defrontou com uma sturmableitung petista na zona oeste do Rio de Janeiro para mim ficou evidente que José Serra não conhece o país em que vive.

Ele precisa ser melhor assessorado. Há mais de vinte anos, nenhum partido (que não seja o PT) está autorizado a realizar comícios ou ajuntamentos públicos em grandes cidades, sem que atraia alguma turba da esquerda disposta a dissolvê-lo pela força ou com xingamentos. Ele até devia agradecer por terem atingido apenas com um artefato plástico. Quem mandou se meter em terreno onde não é autorizado?

Será que ele não levou nem um pouco a sério que desde o começo da campanha as suas finanças foram bisbilhotadas por um aparelho petista montado dentro da própria Receita Federal? Ou será que acreditou que realmente tudo não passou de um mal-entendido?
Bisbilhotagens desse tipo teriam provocado reações políticas imensas em nações transparentes (lembram-se de Watergate?), mas no Brasil isso não provocou o menor risco. Serra teria que estar preparado.


Esse incidente me fez lembrar 1989 e uma recente "rememoração" de um fato semelhante, quando militantes de esquerda se juntaram para dissolver um comício programado pela candidato Fernando Collor de Mello na cidade de Caxias do Sul, uma semana antes do segundo turno.

Observe que os ex-militantes entrevistados (na época, quase todos do felizmente extinto PCB, e hoje espalhados em outras siglas: PT, PDT, PMDB) se orgulham empavoados da "façanha" - não feita por eles, obviamente, mas por outros - de impedir um comício eleitoral usando de táticas inegavelmente fascistas.
Pior é que a atribuíram a culpa por atiçar a confusão em um militante que nem vivo está mais.

Eu conheci ele. Como também conheci outros, brizolistas ou petistas, que esperam até hoje medalhas pelo grande feito de ter reimplantado no Brasil a prática fascista de dissolver comícios de adversários no país. Eu estava lá, fiz parte da campanha de Lula, mas não da 'confusão' na praça. O ataque foi intencional, planejado, executado. E obra da esquerda; não dos colloridos.
Se o Collor aproveitou politicamente depois - como já tinha feito na outra Caxias, do RJ - é outra história. É ridículo ver o próprio ex-coordenador da campanha Collor na cidade, Mário Vanin, cair na lorota de que houve uma armação para provocar o incidente, porque os 'organizadores' do comício não eram de Caxias do Sul, mas de outra cidade.

Eu vi esses militantes chegarem (não eram muitos, de camisa branca, com a sigla "PTR", um dos partidos da coalizão de nanicos formada por Collor), mas também é verdade que a praça atraiu curiosos e simpatizantes (também de outras cidades) do candidato do PRN que, mesmo sem serem maioria na cidade, tinham pleno direito democrático de comparecerem a um dos raros comícios de Collor no estado.
Se Collor quisesse uma provocação, teria feito uma caminhada até a sede de comitê de sua candidatura, na esquina da Júlio com a Coronel Flores (e que, curiosamente, era ao lado do próprio comitê de Lula), e não um comício de grande porte e com a presença de artistas e de seus principais apoiadores no estado.

A dissolução do comício se deu porque militantes de quatro partidos de esquerda decidiram isso. Todo o material de som foi destruído e o palanque jogado abaixo, em uma ação que não deve nada às S.A. nazistas.
É terror, meu amigos? É.

A realidade é que a baderna contra candidaturas alheias não é acidente na trajetória da esquerda. Está no sangue. Ela não admite opções contrárias. Ela quer monopolizar, uniformizar, eliminar os contrários, filtrar o pensamento da sociedade até restar apenas um pensamento.

José Serra, que foi (ou ainda é) um stalinista, devia reconhecer isso. Agora experimenta o veneno que já foi dele.

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